Todo final de novela é bobo!

Assistindo nesta segunda-feira (08), ao último capítulo da novela Pega-pega, na companhia de minha mãe, ouvi isso dela, que "todo final de novela é bobo!". Aliás, eu sempre ouço isso dela em todo final de novela.
Fiquei pensando, então, como deveriam ser os finais das novelas para que os telespectadores não se sentissem frustrados como a minha mãe, e até eu mesmo, pois odiei os finais de várias produções.
Como não achei uma resposta a minha indagação, até porque eu tenho muito bem formado dentro de mim o conceito de que folhetim necessita ser chiclê: casal de apaixonados luta a novela toda para apenas no final se casarem (quase sempre) e viverem felizes para sempre, e o vilão, ou vilã, se dá mal. Muitas novelas que tentaram fugir desse conceito criado no início do século XIX na França se deram mal como Bang Bang (novela das 7 produzida entre 2005 e 2006), e essa perdia novela "top" da RecordTV que é Apocalipse.
A maioria dos derradeiros fins de novelas vai terminar mesmo com beijos, casamentos, gravidez, prisão ou morte dos vilões... Como o autor pode fugir disso? Tudo caminha para que isso aconteça. Uma história folhetinesca deve levar ao final feliz. Entretanto, o final pode ser diferente para os filmes e séries.
No ano passado acompanhei alguns finais de novelas que me deixaram frustrados e o final de uma novela mexicana me surpreendeu demais por fugir do clichê tão característico dos dramalhões mexicanos.
Frustrou-me, por exemplo, o final da novela Por Amor, que eu não re-assisti, mas assisti mesmo pela primeira vez pelo Canal Viva que a apresentava pela segunda vez. Eu pensava que o descobrimento da troca dos bebês se daria na última semana, que haveria um conflito com aquilo, mas tudo foi tão corrido que foi apenas no último e ficou tudo num simples perdão por Helena ter feito tudo por amor à filha mimada que não poderia mais ter filho. O final de Tieta também me deixou chateado. Odeio os finais em que as últimas cenas reúnem o elenco fora das personagens. Para mim perde todo o clima da ficção. E o final de Pega-pega teve isso. Uó!
Fiquei muito surpreso com o final da novela mexicana exibida pelo SBT, que tinha como protagonista a nova queridinha dos mexicanos Angelique Boyer, O que a vida me roubou. A novela foi meeeegaaaaa "clichesona", teve muito chororô, muito sofrimento para a mocinha e o mocinho, teve muita morte, muito assassinato (o que tem acontecido muito nas novelas mexicanas dos últimos tempos), mas o final fugiu à regra do "fim" no gerador de caracteres. Ao invés de terminar numa igreja com um casamento, a última cena mostrava um velório em que o antagonista era velado. Os protagonistas, sentindo-se enfim prontos para viverem o seu amor, saíam da igreja de mãos dadas depois de se despedirem do defunto aos olhos dos demais personagens. Arrasou!
Ah, e como não recordar o último capítulo todo bagunçado de A Força do Querer, com Zeca e Ruy virando os melhores amigos de uma hora para a outra e com a última cena tendo a sereia Ritinha? E isso, infelizmente, acontece em todas as novelas de Glória Perez, ela deixa pra resolver tudo no fim, mas acaba não resolvendo e vira um balaio de gato!